ASSIM DÁ CERTO

Investimento em tecnologia e instrumento de gestão garantem lucratividade alta em fazenda mato-grossense.

A implantação de programas de melhoramento genético e o uso de software específico para acompanhar o desenvolvimento do rebanho estão transformando a Fazenda Luar, de 7.500 hectares, situada a cerca de 60 Km de Cuiabá,em uma propriedade rural modelo em Mato Grosso. O período de abate caiu de 36 para 26 meses e a cada 30 dias são abatidos cerca de 400 bois pesando em média 17 arrobas. As fêmeas emprenham aos 18 meses e o desfrute do plantel aumentou em mais de 25% ao ano. Os animais que antes eram desmamados como no máximo 180 quilos agora chegam atingir mais de 240 quilos em apenas oito meses de vida. A lucratividade por cabeça passou de 1,9% para 2,8% ao mês. Toda a propriedade foi mapeada com GPS e a manutenção das pastagens passou a ser feita periodicamente com adubação por cobertura, calagem e pastejo rotacionado. Para atingir este resultado, o proprietário Irineu Zagonel investiu mais de 150 mil reais na compra de equipamentos e instalação de um laboratório de transferência de embriões, balança e computadores. Os equipamentos foram instalados em uma sala apropriada e com toda infra-estrutura dentro do próprio curral, para facilitar manuseio periódico dos animais. Os funcionários tiveram que se adaptar ao novo sistema de produção com treinamento e cursos de qualificação profissional. Segundo um dos veterinários responsáveis pela implantação do programa, João Manoel Pereira, os pecuaristas com visão empresarial estão investindo em tecnologia de ponta porque descobriram que é possível criar animais de qualidade superior, reduzir os custos e aumentar a produtividade do rebanho. Dos 7.500 hectares da Fazenda Luar,3 mil estão cobertos com pastagens e o restante se tornou reserva legal. A fazenda optou pela implantação do programa de melhoramento em 1998. Na época, também foi criado um programa próprio de classificação de características individuais do rebanho, como expressão racial, conformidade e musculosidade. A partir daí todos os animais foram numerados com marca a fogo e cadastrados. A criação do cadastro facilitou o acompanhamento e identificação individual dos animais, controle, árvore genealógica, número de nascimentos, cobertura, desevolvimento, abates, manejo, aspectos reprodutivos e sanitários. Essas informações também passaram a ser enviadas ao banco de dados do programa de melhoramento genético (PMGRN) da Universidade de São Paulo (USP) e ao Programa de Produtividade e Controle Animal – Procan – da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). Estes programa servem de referência para avaliar a qualidade dos animais que estão sendo criados na fazenda em relação aos rebanhos de diversas regiões do país.

Revista

QUALIDADE TOTAL – Segundo o administrador da Luar; Cláudio Luiz Pasa, todo o rebanho – cerca de 30 mil cabeças – é rastreado. Do total, cerca de 14 mil animais da raça nelore estão sendo criados através do programa da ABCZ. As matrizes de elite são acasalada individualmente e as demais em grupos de manejo. O programa leva em consideração o número de filhos, intervalo entre partos, controle reprodutivo, peso e desenvolvimento do animal, entre outros fatores. Dando continuidade ao programa de melhoramento, o proprietário Irineu Zagonel está estudando a possibilidade de contratar uma empresa especializada em qualidade total para certificar o rebanho, informou Luiz Pasa.

No banco de sêmen da fazenda estão estocadas mais de 18 mil doses de animais renomados. Aproximadamente 11 mil doses foram adquiridas das Organizações Mário Franco, de Uberaba, MG. Entre as doses existe sêmen de touros como Ludy de Garça, Gim de Garça, 1646, Legat, Panagpur, Big Ben e outros. A média de aproveitamento dos embriões na fazenda é uma das mais altas do país e chega, segundo o veterinário responsável pelo laboratório de transferência de embriões Newton Flávio, a 57%. “Nós só congelamos embriões de excelente qualidade para evitar perdas, porque nem todos os embriões inovulados vingam”, explicou Newton Flávio. Ele disse ainda que a técnica de transferência de embriões está acelerando o processo de melhoramento do rebanho, por incorporar com maior rapidez a inclusão de animais superiores ao criatório. O rebanho de animais puro de origem da fazenda é formado por 1.200 matrizes nelore e 300 guzerá, uma raça bastante rústica que, segundo Newton Flávio, tem se revelado uma boa opção de cruzamento com nelore.

Revista Produtor Rural - novembro 2003 - Edição 129